Escritora de romances policiais, com nove livros publicados na Finlândia, Anu Patrakka é a convidada da próxima sessão do Clube de Leitura leremvozalta, que decorre na Casa Antero de Quental, em Vila do Conde, no sábado, 29 de novembro, pelas 17 horas, numa iniciativa promovida pelo Centro de Estudos Anterianos e pela Cabe Cave Associação Cultural.

Anu Patrakka apaixonou-se por Portugal numa viagem de férias e voltou seis meses mais tarde, para um ano sabático. É filha de emigrantes, obrigados a deixar as suas casas nos anos 40, na altura da guerra. A família instalou-se no oeste da Finlândia, sem nunca perder as saudades da Carélia, região que ficou dividida com a Rússia. Talvez por isso, nunca criou raízes fortes no país, mantendo a procura de um sítio onde pudesse sentir-se em casa, que encontrou em Portugal. No primeiro ano, viajou pelo país, registando em imagens os novos locais por onde passava. Ainda regressou à Finlândia, retomando o seu emprego, mas já não conseguiu adaptar-se a essa realidade. Quando o pai faleceu, decidiu mudar de vida: em 2012, despediu-se do emprego e mudou-se para Portugal.

Anu Patrakka

Desde muito jovem, quis ser escritora. Portugal deu-lhe a hipótese de o fazer. Escreve romances policiais psicológicos, cuja ação decorre no Porto e arredores, designadamente em Vila do Conde, onde viveu durante um período. O que a inspira são as pessoas, os portugueses, as paisagens, os lugares, o mar, as praias, as ruas estreitas, as zonas antigas das cidades. O crime tem apenas um papel secundário nos seus livros, sendo que o mais importante são as pessoas e a sua mentalidade. Aprendeu a língua portuguesa, que considera complicada, com muitos sons diferentes, sendo que o finlandês tem apenas uma sibilante, e não existem sons nasais, nem vogais fechadas. Escreve em finlandês e não tem, ainda, qualquer livro publicado em Portugal. Tem saudades da Finlândia mas, para Anu Patrakka, tudo valeu a pena.

Entrada livre.

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