A 26 de março, dia em que Vila do Conde assinalou 1073 anos do documento mais antigo que refere o nome Vila de Comite, a Câmara Municipal atribuiu ao Centro de Estudos Anterianos a Medalha de Mérito Cultural, distinguindo o seu percurso e contributo para a elevação do nome da cidade.
Antero de Quental é um dos mais notáveis intelectuais portugueses e referência obrigatória na poesia, no ensaio filosófico e literário, no jornalismo, mas também nas lutas pela liberdade de pensamento e pela justiça social.
Antero viveu em Vila do Conde entre 1881 e 1891, a sua última residência no continente, permanência durante a qual produziu parte significativa da sua obra. É, na feliz definição de Ana Maria Almeida Martins, “a década dourada de Vila do Conde”, terra fadada, com o seu sol perene, os seus puros horizontes campestres, as suas largas praias que tão bem convidam a cismar melancólico e consolador, como Antero escreve em carta a Alberto Sampaio.
A casa que Antero escolheu para sua residência, o n.º 3 da antiga Praça Velha, atual Largo com o nome do escritor, era propriedade privada, tendo sido adquirida pelo nosso município, que a reabilitou e lhe conferiu uma configuração o mais próximo da original. Inaugurada em 2013, aí se instalou o Centro de Estudos Anterianos, associação criada em 1994, sonhada e inspirada por Ana Maria Almeida Martins e a que de pronto se juntaram, entre muitos outros, personalidades cimeiras na cultura portuguesa, como Eduardo Lourenço, Rui Feijó, Guilherme d’Oliveira Martins, António Machado Pires, Mário Mesquita ou Maria José Marinho.
Desde então, o Centro de Estudos Anterianos, a partir do estudo e reflexão da obra de Antero de Quental e da Geração de 70, o grupo de pensadores que tão vivamente influenciaram os séculos XX e XXI, tem-se afirmado, com relevantes iniciativas, como um dos mais dinâmicos intervenientes na vida cultural da Cidade.
— Município de Vila do Conde, 26 de março de 2026
